05/02/2019

Não entre em pânico!, por Douglas Adams

Considerado um dos maiores clássicos da literatura de ficção científica, O guia do mochileiro das galáxias vem encantando gerações de leitores ao redor do mundo com seu humor afiado. Este é o primeiro título da famosa série escrita por Douglas Adams, que conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário. Mestre da sátira, Douglas Adams cria personagens inesquecíveis e situações mirabolantes para debochar da burocracia, dos políticos, da "alta cultura" e de diversas instituições atuais. Seu livro, que trata em última instância da busca do sentido da vida, não só diverte como também faz pensar.
NÃO ENTRE EM PÂNICO é o que está escrito, em amigáveis letras garrafais, na capa do Guia do Mochileiro das Galáxias, o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor. 

O livro conta a história de Arthur Dent, humano cuja maior preocupação até então era sua casa estar sendo tombada para que, em seu lugar, fosse construído um desvio não tão necessário assim. O que ele não imaginava era a existência de um problema de escala interplanetária e bem mais digno de atenção: a iminente destruição da terra para a construção de uma via expressa hiperespacial.

Ford Prefect é sem dúvida um dos meus personagens favoritos desse livro que mistura aventura, comédia, astrofísica e filosofia com uma grande e característica dose da genialidade de Douglas Adams, da qual tanto ouvi falar e só recentemente tive a honra de presenciar. Ele é um alienígena que ficou ilhado na Terra enquanto fazia uma pesquisa de campo para O Guia, na intenção de aumentar o pequeno verbete que estava destinado ao planeta ("Inofensiva"), e desde então procura uma forma de voltar a sua terra de origem, perto de Betelgeuse.

É graças a Ford que Arthur consegue pegar carona numa nave vogon pouquíssimo antes da Terra virar pó, e sem uma toalha mas com um peixe no ouvido, eles iniciam uma grande aventura pela Galáxia, passando pertinho da morte por milésimos de segundos mas sendo salvos por vários acontecimentos improváveis (que, deixo bem claro, não são coincidência).

A escrita de Adams é engenhosa e nos faz sentir como Arthur: um terráqueo que poucas horas atrás estava pensando em escovar o pelo do cachorro e tomar uma xícara de chá, e de repente se vê viajando pela Galáxia, pegando carona com seres de duas cabeças e três braços, presenciando a construção de planetas sob encomenda e conversando com um robô maníaco-depressivo.

Pensei que seria difícil acompanhar a história, já que não entendo muito de física e muito menos de astronomia, mas - nas palavras de Ford Prefect -, o livro é um barato! Acredito que perdi algumas referências devido a esse déficit de conhecimento, porém nada que tenha atrapalhado demais a experiência ou me deixado incomodada.

O Guia é uma leitura levinha, no entanto cheia de significado. Em meio a ratos superinteligentes, teorias da conspiração que fazem sentido até demais, planetas em hibernação e portas que suspiram de prazer, o objetivo do livro é nos fazer refletir sobre A Resposta para A Questão. Que resposta e que questão? Oras, a resposta da Vida, O Universo e Tudo o mais! E, afinal, a pergunta que devemos fazer para desvendar tudo isso.

Não posso prometer que todos os mistérios serão resolvidos no final da história, mas posso dizer com certeza que você vai descobrir como e por quais motivos a Terra foi criada, o que os ratos têm a ver com isso, por que os fiordes da Noruega são tão bonitos e como uma série de improbabilidades pode levar a uma aventura incrível por um pedacinho da Galáxia!

CITAÇÕES

Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido. Girando em torno deste sol, a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande ideia.
—Não vai dar certo. — disse Marvin. —Minha mente é tão excepcionalmente grande que uma parte dela vai continuar se preocupando.
A derradeira mensagem dos golfinhos foi entendida como uma tentativa extraordinariamente sofisticada de dar uma cambalhota dupla para trás assobiando o hino nacional dos Estados Unidos, mas na verdade o significado da mensagem era: Até mais, e obrigado pelos peixes. 
 —De mim mesmo só sei o que meu cérebro consegue entender nas atuais circunstâncias.

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